Não tende entender. Não tente explicar. A mente é recurso por demais limitado para alcançar esse esplendor. O Infinito não pode caber no finito. Etéreo silêncio que traduz o Absoluto que as palavras não tocam. Venham, sejam perfeitos! Pois o Fogo alquímico lapida as pedras brutas em cristais luminescentes. Mistério inefável que emudece as vozes que nos separavam. Saltem, pois as asas da Deusa nos convidam ao êxtase supremo. Se ela vive em mim, por que abrir os olhos? Das entranhas da matéria, nossos corpos se desfazem no reencontro com a inominável imensidão.
Morremos e renascemos, imensamente. Da escuridão profunda desse Vazio que nos preenche e nos entrelaça na eterna dança da rubras nebulosas. Na morte do que estamos, nos completamos, um no outro, no milagre que Somos. Apenas a transformação final nos completa em nossa elaboração terrena. A gota d’água se reconhece na plenitude do oceano. Após o torpor da inconsciência, nos desintegramos no ardor da transcendência. As ondas ressoam nos mares do descobrimento e as serpentes sibilam no inefável renascimento.
Os portais se abrem além dos portões da renúncia. A grande renovação nos aguardava, pacientemente. O ventre da Terra se nutre das águas vítreas e nos oferece as dádivas da pura essência. Um novo Céu se abre e nos lança os raios cálidos da transformação. Uma nova humanidade se lança aos altiplanos da divindade e cumpre a sua antiga promessa. A Grande Mãe sente agora as dores do parto, que apenas prenunciam a felicidade do coração materno que, não tarda, deleita-se com o radiante sorriso dos seus filhos.
Há lugar tão nosso onde a ilusão não impera. Uma espiral de nebulosas e primaveras. Onde o coração, desperto, se inebria, em explosão de gozo e perene alegria. Escute o som inaudito que nos leva ao júbilo dos loucos, com seus corações sempre palpitantes. Integre os antigos acessos que sopram do lado de lá, com suas memórias exultantes. Devore o delírio de Ser e despudore-se ante a censura dos descontentes. Derrame-se nesse cálice desse Amor que nos torna sóbrios novamente.
(Apaz.comecacomigo)




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